Programa E-Lar volta em dezembro: oportunidade para tornar as casas mais eficientes

Samuel Magno

11/10/20253 min ler

white concrete building during daytime
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A partir de 2 de dezembro, o Governo volta a abrir candidaturas ao Programa E-Lar, uma iniciativa que apoia a substituição de fogões, fornos e esquentadores a gás por equipamentos elétricos mais eficientes.
A nova fase terá uma dotação de 51,5 milhões de euros e mantém as regras da edição anterior.

Por que o programa foi relançado

Na primeira edição, o E-Lar teve uma procura muito acima das expectativas: 40 mil candidaturas em apenas seis dias, o que esgotou rapidamente o orçamento inicial de 30 milhões de euros.
Perante esse resultado, o Governo decidiu reforçar o programa e corrigir as falhas técnicas da primeira fase, prometendo um processo de candidatura mais simples e acessível.

Até ao momento, já foram emitidos 21 mil vales, correspondentes a 17 milhões de euros, e cerca de 4 mil famílias já utilizaram o apoio.

De onde vem o financiamento

O reforço do E-Lar está ligado a uma reorganização do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Parte dos fundos agora atribuídos ao programa vem do redimensionamento do “Vale Eficiência”, outro projeto do PRR que perdeu mais de 100 milhões de euros face ao valor inicial.

O “Vale Eficiência” foi criado para financiar obras de requalificação energética mais profundas, como janelas eficientes, isolamento térmico ou instalação de painéis solares.
Porém, o programa enfrentou dificuldades operacionais — havia poucos técnicos qualificados para executar as intervenções, o que atrasou milhares de candidaturas.

Já o E-Lar, por ser mais simples, permite resultados mais rápidos — mas com um impacto diferente.

Vale Eficiência e E-Lar: objetivos diferentes

Apesar de ambos os programas pertencerem ao mesmo eixo do PRR — Eficiência Energética em Edifícios Residenciais —, a sua natureza é distinta.

  • O Vale Eficiência focava-se em obras estruturais nas casas, com potencial para melhorar o conforto térmico e reduzir as faturas energéticas a longo prazo.

  • O E-Lar centra-se na substituição de equipamentos domésticos, apostando na descarbonização e modernização do consumo energético.

Na prática, o E-Lar é mais rápido e acessível, mas não substitui o impacto duradouro que o Vale Eficiência poderia ter gerado nas habitações de famílias vulneráveis.

Um passo positivo, mas com limitações

A reabertura do E-Lar é uma boa notícia — representa mais uma oportunidade para modernizar as casas e reduzir a dependência do gás.
No entanto, também levanta uma reflexão importante: quantas famílias ficam para trás com o redirecionamento dos fundos?

O Governo estima que 58 mil vales sejam atribuídos a agregados em situação de pobreza energética. Ainda assim, mais de 25 mil famílias que aguardavam apoio para obras estruturais poderão ver os seus projetos cancelados.

O que isto significa para as famílias

Mesmo que os novos equipamentos sejam mais eficientes, a poupança na fatura mensal nem sempre é imediata.
Os resultados dependem dos hábitos de consumo, do tipo de contrato de eletricidade e, claro, da condição da própria casa.

Para muitas famílias, a verdadeira eficiência energética continua a depender de melhor isolamento, ventilação e conforto térmico — aspetos que exigem investimento estrutural.

Uma nota pessoal

Como profissional ligado ao imobiliário, acredito que melhorar a eficiência das casas é investir na qualidade de vida das pessoas.
Uma casa eficiente é mais confortável, saudável e económica.
Mas é essencial que as políticas públicas mantenham o foco em quem mais precisa, sem deixar ninguém para trás.

O E-Lar é um passo positivo, sim — mas deve ser acompanhado por uma visão mais ampla: a de um país onde todas as famílias possam viver com dignidade, conforto e segurança energética.

Assinado: Samuel Magno
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